Análises

Tales of Arise – Beyond the Dawn

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Apesar das boas ideias, Tales of Arise merecia bem mais

Não me entenda mal: essencialmente, eu gostei de jogar Beyond the Dawn, mas pelos mesmos motivos que gostei de jogar o jogo base. As lutas são excelentes, o jogo é bonito, e eu gosto do elenco como um todo. Mas, quando o preço é um pouco elevado, eu espero pelo menos algumas mudanças. Eu detesto o termo "caça-níqueis", já que sei que muitas pessoas se esforçaram muito para fazer este jogo acontecer, mas sinceramente não consigo pensar em nenhuma outra maneira melhor pra definir essa DLC.

Eu sei que é uma maneira estranha de começar esta análise, mas outros DLCs com marketing semelhante, especialmente da série Xenoblade Chronicles, estabeleceram um alto padrão. Torna: The Golden Country e Future Redeemed exploraram elencos de personagens diferentes, trouxeram surpresas na narrativa e mudaram substancialmente a jogabilidade. Haviam até mesmo novas áreas para explorar.

ALERTA: Essa análise pode conter alguns spoilers do jogo original.

À primeira vista, parecia que Beyond the Dawn poderia estar preparado para atender a esse padrão. 20 horas de jogabilidade, incluindo novo conteúdo de história? Confere. Um preço relativamente alta para justificar essa afirmação? Confere. Todas as estéticas de anime que você pode desejar? Confere.

Nazamil é uma boa personagem que infelizmente fica apagada.

Não é preciso dizer que Tales of Arise – Beyond the Dawn não atende a esse padrão. A jogabilidade permanece inalterada. O grupo de personagens continua o mesmo. Até mesmo a maioria das áreas permanece a mesma. O novo conteúdo de história tem algum potencial, mas é completamente desperdiçado e não leva a lugar nenhum novo. Os roteiristas até se inclinam para algumas das direções muito problemáticas que seguiram no final do jogo Tales of Arise. Adicione a isso o fato de que isso foi lançado mais de dois anos após o jogo principal, e é tarde demais, e o custo de entrada é muito alto para todos, exceto os fãs mais ardorosos de Tales of Arise.

Adoro essa mistura de mundo medieval com futurismo.

Rolando aproximadamente um ano após os eventos de Tales of Arise, depois que os dois mundos se fundiram e os Dahnans e Renans estão se adaptando a viver juntos, Beyond the Dawn começa com Alphen e Shionne explorando o mundo, procurando fechar “Mausoléus” que parecem estar perturbando o recém-formado mundo, impedindo que os diferentes elementos entrem em equilíbrio total. Em suas aventuras, eles encontram Nazamil, uma jovem atacada pelos locais porque é filha de um lorde Renan e uma mãe Dahnan. É claro que nossos bons heróis vêm para salvar o dia e levam Nazamil sob sua proteção enquanto se encontram com a velha gangue.

Nazamil tem dificuldade em se adaptar à vida com amigos. Ela foi excluída a vida toda. Aqui, temos um personagem potencialmente interessante para explorar, mas isso nunca acontece. Ela é rapidamente retirada do grupo e da tela, e as lutas que ela enfrenta compõem a grande maioria da história “principal”. No final, tudo se resume ao “poder da amizade”, um tema que eu costumo apreciar, mas é tratado tão mal aqui que honestamente ri durante alguns dos momentos mais dramáticos da história. Simplesmente não temos tempo suficiente com Nazamil para nos investirmos no que acontece com ela, e não importa o quanto o elenco principal se importe com ela, não consegue compensar a escrita surpreendentemente rasa ao redor de sua história.

Alphen e seu olhar triste.

O restante das 20 horas de jogo consiste em fazer muitas, e quero dizer muitas, missões secundárias, e parece que isso poderia funcionar no papel. Afinal, a premissa geral de Beyond the Dawn é propícia para explorar temas complexos: tanto os Renans quanto os Dahnans agora vivem no mesmo espaço. Depois de anos incontáveis de exploração, como os Dahnans interagem com os Renans? O que os Renans fazem para se redimir por seus muitos pecados? Se você jogou as últimas 15 horas de Tales of Arise, provavelmente pode adivinhar a resposta para essas perguntas: o “sofrimento” de todos é tratado da mesma forma. Os oprimidos e os opressores têm tudo “tão difícil” quanto o outro enquanto tentam se dar bem. Isso é igualmente problemático aqui como foi no jogo base, e os roteiristas não fazem nada para amenizar minhas preocupações.

Ocasionalmente, o jogo tenta explorar algumas questões interessantes: como Alphen lida com seu heroísmo? E as dificuldades de Alphen com os Renans? Como Law honra o legado de seu pai? Mas todas as vezes, mesmo quando os personagens chegam a alguma determinação, nada muda. Por exemplo, quando Alphen decide que não vai sacrificar sua vida por cada pessoa necessitada, várias missões secundárias são abertas. Pelo menos 15. Claro que é hora de pegar essas missões secundárias, ignorando completamente a oportunidade de crescimento de Alphen. Embora este seja provavelmente o exemplo mais gritante da narrativa desconexa em Tales of Arise – Beyond the Dawn, há muitos outros exemplos. A maioria das missões se resume ao que você esperaria: matar isso, coletar aquilo, falar com eles. Até mesmo as novas missões secundárias “EX“, que teoricamente são centradas no personagem, fazem pouco para se distinguir das demais, exceto por fortalecer um pouco o ataque especial desse personagem. Francamente, parece que os roteiristas tinham algumas ideias interessantes, mas não se atreveram a explorá-las mais a fundo com medo de ofender seu público.

VEREDITO

Não me entenda mal: essencialmente, eu gostei de jogar Beyond the Dawn, mas pelos mesmos motivos que gostei de jogar o jogo base. As lutas são excelentes, o jogo é bonito, e eu gosto do elenco como um todo. Mas, quando o preço é um pouco elevado, eu espero pelo menos algumas mudanças. Eu detesto o termo “caça-níqueis”, já que sei que muitas pessoas se esforçaram muito para fazer este jogo acontecer, mas sinceramente não consigo pensar em nenhuma outra maneira melhor pra definir essa DLC.

David Signorelli
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