Análises

The Legend of Heroes: Trails From Zero

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Depois de mais de uma década de espera, um dos melhores JRPGs de todos os tempos está entre nós

The Legend of Heroes: Trails From Zero é um jogo que demorou mais de 10 anos para que nós pobres ocidentais pudéssemos curti-lo como merecia, entretanto esse dia finalmente chegou e você simplesmente não pode deixar de conferir as aventuras do SSS e entender porque essa série é tão querida.

Não é exagero dizer que esse foi um dos jogos que mais aguardei em toda a minha vida e bota aguardar nisso. Minha trajetória com a série Trails deu-se início em 2015 com Trails in the Sky e desde então joguei absolutamente todos os jogos posteriores, porém havia uma maldita lacuna chamada de duologia Crossbell, exclusivamente lançada no Japão.

Apesar de ter tido lançamentos constantes da série no ocidente, muita gente falava bem dessa duologia e eu fiquei com uma forte sensação de estar perdendo algo incrível. Quando joguei os jogos da quadrilogia Cold Steel, em vários momentos apareciam personagens do universo Crossbell e aquilo tava me consumindo pois queria muito saber quem eram aquelas pessoas e o que diabos era Crossbell afinal de contas. Após apenas saber desse local em livros espalhados pelo jogo ou mesmo em menções durante os eventos dos jogos da série, foi em Trails of Cold Steel III que pudemos ingressar em Crossbell, uma cidade que existe entre Erebonia e Calvard, países enormes do continente de Zemuria.

Foi incrível andar por Crossbell depois de saber tanto sobre ela, deu aquela sensação de quando vamos viajar para alguma cidade do qual nós sempre gostaríamos de visitar e o dia finalmente chega. Só que ao mesmo tempo era estranho estar andando por ela sabendo que isso já deveria ter acontecido, difícil explicar… Aí em Cold Steel IV é que a coisa realmente fica mais apertada, praticamente todos os personagens da duologia Crossbell aparecem e são extremamente importantes pra trama, deixando a coisa ainda mais complicada, ainda mais considerando que eu já havia perdido as esperanças de jogar oficialmente Trails From Zero e Trails To Azure.

Eis de em um belo dia, a NIS America anunciou que iria trazer para o ocidente de forma oficial os dois jogos mencionados e mais dois outros títulos da série. Foi um dia inacreditável para um fã da série Trails como eu e graças à esse acontecimento, estou tendo essa oportunidade de poder realizar um sonho distante. Dito tudo isso, vamos ao review!

CROSSBELL, UMA CIDADE FORMIDÁVEL

O ponto mais forte da série Trails é sem sombra de dúvidas a sua história. Para quem não sabe, toda a trama da série é contada através de todos os jogos que se entitulam Trails, começando por Trails in the Sky(2004) e culminando com o mais recente Kuro no Kiseki II -Crimson Sin-(que não possui um nome oficial no ocidente, ainda) de 2022, sendo que esse jogo atingiu 70% da trama completa segundo o seu criador Toshihiro Kondo, que também é presidente da Nihon Falcom, a desenvolvedora original desses jogos.

Enfim, é uma série que demanda um investimento gigantesco para uma compreensão completa, mas depois de jogar Trails From Zero eu diria que se você quiser começar por aqui, não é de todo ruim não. O jogo conta a história de Lloyd Bannings e seus amigos do SSS(Special Support Section), um braço da polícia de Crossbell que possui uma jurisdição limitada, mas ainda sim possui uma grande importância na segurança da cidade. Uma das coisas que mais gostei desse jogo é que ele é super rápido em introduzir os 4 personagens principais dessa história, sem a necessidade de ir conhecendo intimamente um a um como na maioria dos jogos da JRPG.

Cena da abertura do jogo.

Com isso percebemos que a química entre eles se torna intensa logo de cara, fazendo com que a trama se desenrole de forma muito mais interessante. Algo que não posso deixar de mencionar é a uma das maiores características da série Trails que são os NPCs. Em simplesmente todos os jogos da série, os NPCs possuem nome próprio e suas ações/diálogos mudam conforme cada avanço significativo na história principal, portanto se você quiser realmente abraçar esse universo e eu digo que vale muito a pena, deverás investir nesse aspecto. Não tem como não se sentir mergulhado em um mundo onde você não é o centro das atenções e cada um desses personagens possuem uma visão única dos acontecimentos, podendo inclusive viajar e acabar encontrando eles em lugares bem aleatórios, é incrível essa atenção aos detalhes.

A trama num geral é fantástica, com reviravoltas emocionantes, vilões bem bolados e um final que deixa você de cabelo em pé, até porque o fim dessa parte da série Trails só será resolvida ano que vem em Trails To Azure, portanto o aviso já está dado, não vale ficar chorando! Já estou com uma saudade imensa dessa galerinha e ansioso para saber o que o futuro reserva para nós.

ETERNAMENTE BELO

Trails From Zero possui um visual bem característico dos RPGs de PS1 como Xenogears, Grandia ou mesmo os Trails que foram lançados antes dele, é uma visão de cima com os bonequinhos pré-renderizados. A maior diferença que senti quanto a esse jogo em relação aos demais é o fato da câmera ser fixa, uma decisão que eu achei bem inteligente pois permite que os diretores de arte possam ser mais ousados ao querer mostrar algo em específico, deixando que o jogador foque apenas no controle dos personagens no campo.

Originalmente o jogo foi lançado em 2010 para o PSP e possuia as limitações desse hardware, algo que continua aqui de certa formanessa versão, mas as melhorias em cima foram bem significativas. Vale lembrar que tivemos acesso à versão Switch e a do PS4, faltando somente a de PC.

Irei começar falando sobre a versão de Switch. Essa definitivamente é a melhor versão para os consoles caseiros e por mais que não pareça fazer sentido, dado o poder do PS4 em relação ao portátil da Nintendo, afirmo que o trabalho feito foi supremo. As texturas foram re-trabalhadas, a iluminação foi aprimorada e muito mais detalhes foram introduzidos, dando uma cara de jogo novo para esse clássico. Confira abaixo uma imagem da versão Switch:

Versão Switch/PC com texturas muito melhores, olhe para o CROSSBELL a sua direita.

O que aconteceu no PS4 foi que eles se basearam em uma versão chamada Kai do jogo, que foi lançado somente no Japão. Essa versão é basicamente um PSP no emulador, sem grandes charmes e honestamente não sei porque não optaram pelo caminho da versão Switch, não faz sentido nenhum. Enfim, confira abaixo uma imagem da versão PS4 e tire suas próprias conclusões:

Versão PS4 infelizmente bem inferior.

Claro que não tá injogável, muito pelo contrário. Não importa a versão que você jogue, com certeza irá babar com a fantástica arte desenvolvida, tanto para com os personagens quanto para esse universo. Os bonequinhos pré-render mesmo são um charme. Ah, 60 quadros por segundo durante toda a jogatina, certo?

AUMENTA O SOM!

Nem preciso dizer que a trilha sonora de Trails é suprema, certo? São tantas faixas memoráveis que poderia fazer um review só falando disso. O tema de batalha Get Over The Barrier!, uma das músicas quando você está explorando o mundo On The Green Road ou mesmo a A Light Illuminating The Depth que toca na última dungeon fará você querer colocar o som do seu equipamento no limite.

O sistema de batalha é muito divertido.

Não somente as músicas são de qualidade como a dublagem também é de alto nível, quase todos os eventos principais do jogo são dublados(em japonês) e é algo que dá gosto de ouvir, os atores deram 100% de si nas atuações. Se prepare para ver o que é emoção de verdade quando acontecer um dos eventos mais chocantes da série! Você que jogou sabe do que estou falando.

UM DOS RPGS MAIS DIVERTIDOS DE TODOS

Não adiantaria ter tudo isso se o jogo fosse chato. Trails From Zero conta com um sistema de batalha semelhante aos demais jogos da série onde podemos desferir ataques diversos aprendidos apenas ganhando level ou equipando quartz. Os quarts são pedras mágicas que permitem que os usuários possam utilizar Arts(magias com um nome mais chique), algo semelhante ao sistema de Materias visto no famoso Final Fantasy VII. As batalhas são rápidas e desafiadoras, caso coloque no Hard como eu fiz e recomendo, pois só nessa dificuldade que você terá que realmente pensar fora da casinha.

O sino de Crossbell.

Fora das batalhas temos uma exploração bem gostosa, com possibiulidade de aumentar a velocidade do jogo em diversos níveis, deixando tudo ainda mais rápido. O jogo também conta com mini-game de pescaria, afinal que JRPG não possui um? E o melhor é que suas recompensas realmente compensam. Olha, eu jogo RPGs desde criança e esse título conseguiu resgatar a magia dos RPGs antigos mesmo não tendo que apelar para pixel-art ou outros recursos artificiais para isso, é realmente um primor.

VEREDITO

The Legend of Heroes: Trails From Zero é um jogo que demorou mais de 10 anos para que nós pobres ocidentais pudéssemos curti-lo como merecia, entretanto esse dia finalmente chegou e você simplesmente não pode deixar de conferir as aventuras do SSS e entender porque essa série é tão querida.

David Signorelli
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