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23 de março de 2026
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Electoon ainda dá mais trabalho que muito boss moderno.

Rayman – 30th Anniversary Edition é exatamente o que promete: uma viagem no tempo. Pode até rolar uma certa repetição por conta das várias versões do mesmo jogo, mas o conjunto funciona. Entre curiosidades, versões distintas e aquele gameplay clássico que ainda segura firme, a coletânea entrega valor. Não é só nostalgia barata. É um lembrete de como ideias simples, bem executadas, conseguem atravessar décadas sem perder o charme.

Rayman: 30th Anniversary Edition

Quando o assunto é história dos videogames, eu confesso sem vergonha nenhuma: sou daqueles que amolece fácil. Ainda mais quando o jogo envelheceu bem e continua divertido de verdade.

E aí vem o choque de realidade. Rayman está completando 30 anos. Trinta. Parece mentira. O tempo simplesmente saiu correndo e nem avisou. Pra comemorar a data, a Ubisoft junto com a Digital Eclipse mandaram pra pista Rayman – 30th Anniversary Edition, uma coletânea que revisita uma boa fatia da trajetória do herói lá nos anos 90, incluindo até conceitos iniciais do personagem.

30 anos desse carinha… estou velho mesmo.

Não é uma coletânea definitiva que cobre tudo até os dias de hoje, longe disso. O foco fica bem preso ali na era clássica, especialmente nas versões até o PlayStation original. E sim, o mesmo jogo aparece várias vezes em plataformas diferentes. Mas, curiosamente, cada versão tem suas peculiaridades e consegue dar uma sensação levemente distinta, o que segura o interesse mais do que você imaginaria. Então aumenta o som, porque a trilha é daquelas que gruda na cabeça, e bora destrinchar esse pacote.

O que vem na caixa virtual?

Se a proposta é lançar uma coletânea do mesmo jogo, então tem que vir com tudo: versões boas, versões curiosas e até aquelas meio “ué?”. Aqui, a coisa é bem honesta. Temos versões de Atari Jaguar, Game Boy Color, Game Boy Advance, MS-DOS e, claro, o já citado PlayStation. E já que é pra começar com estilo, bora direto pra versão de MS-DOS.

Essa aqui é puro suco dos anos 90. Gráficos surpreendentemente bonitos pra época, cores vibrantes e aquele charme pixelado que hoje bate forte na nostalgia. E o som? Sound Blaster cantando bonito. Em 1995 isso aqui era nível topo de linha, sem discussão. Ver rodando hoje é quase como abrir uma cápsula do tempo.

Os jogos continuam lindos como eram na época.

Mas o pulo do gato não é só esse. Essa versão vem turbinada com conteúdo extra: 24 fases feitas pela equipe original, 40 criadas por fãs e mais 60 níveis absurdamente difíceis feitos pela própria Ubisoft ao longo de anos. É conteúdo pra perder horas e horas. E tem um gostinho especial, porque lembra uma época em que os devs alimentavam seus jogos por paixão, não só por planilha de lucro.

Excelente versão do GBA que poucos jogaram.

Logo na sequência vem a versão de Atari Jaguar, que é quase um plot twist dentro da coletânea. Visualmente, ela é até mais bonita que a de PlayStation, o que parece errado, mas não é. Roda rápido, cores estourando na tela, e mostra um vislumbre do que o Jaguar poderia ter sido se tivesse dado certo. Agora, o controle… aí não tem defesa. Jogar no hardware original era um teste de resistência física. Ainda bem que aqui tudo roda com controle moderno, porque ninguém merece aquele trambolho.

Olha o aviãozinho…

No lado do PlayStation, temos uma versão sólida. Som excelente, jogabilidade redondinha, mas graficamente um degrau abaixo da versão de Jaguar e até da de MS-DOS. Não é feia, longe disso, mas falta aquele “brilho extra”. Ainda assim, entrega o pacote completo: diversão intacta e level design clássico funcionando como sempre.

Fechando o pacote, entram as versões portáteis da Nintendo. O Game Boy Color surpreende. Claramente limitado, mas competente. Os controles funcionam bem, o jogo foi adaptado com cuidado e, dentro das limitações, segura a onda.

Nem o Gameboy Colors ficou de fora.

Já o Game Boy Advance… aí é outra história. Essa versão é simplesmente redondinha. Colorida, fluida, praticamente uma tradução perfeita da versão de MS-DOS. Dá até aquela dorzinha de ter perdido isso lá em 2001. Aqui, ela brilha fácil como uma das melhores inclusões da coletânea.

E tem mais. Como cereja do bolo, entra um protótipo do Rayman de 1992 feito para o SNES CD-ROM. Sim, aquele console que nunca viu a luz do dia. É cru, sem música, meio travadão, mas extremamente interessante. É história pura, daquelas que a gente raramente tem acesso. Só por isso já vale a curiosidade.

Extras que fazem diferença

Jogar o mesmo jogo várias vezes poderia cansar, mas a coletânea dá uma ajudinha. Algumas versões permitem ativar opções extras, tipo aumentar HP, liberar vidas infinitas e destravar habilidades logo de cara. Em bom português: dá pra apelar sem culpa. E sinceramente? Aqui funciona muito bem, deixa tudo mais leve e divertido.

Não deixe de conferir os documentários.

Além disso, a Digital Eclipse repete a fórmula que já deu certo em Atari 50: The Anniversary Celebration e inclui um modo histórico bem caprichado. Tem entrevistas, materiais de bastidores, curiosidades e aquele contexto gostoso de acompanhar a evolução do jogo e da própria Ubisoft.

Pra quem curte história dos videogames, é um prato cheio.

Conclusão

Rayman – 30th Anniversary Edition é exatamente o que promete: uma viagem no tempo. Pode até rolar uma certa repetição por conta das várias versões do mesmo jogo, mas o conjunto funciona. Entre curiosidades, versões distintas e aquele gameplay clássico que ainda segura firme, a coletânea entrega valor. Não é só nostalgia barata. É um lembrete de como ideias simples, bem executadas, conseguem atravessar décadas sem perder o charme.

David Signorelli
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